9 de agosto — Dia Internacional dos Povos Indígenas
Antes de qualquer coisa, existia floresta, rio e memória. Foi com esse chão que nossas crianças e adolescentes aprenderam nesta semana: transformando folhas, sementes e galhos em arte, elas tocaram, com as próprias mãos, uma forma de conhecimento muito mais antiga que qualquer sala de aula.
O líder indígena Ailton Krenak, da etnia Krenak, costuma lembrar que não existe separação entre humanidade e natureza: "tudo é natureza. O cosmos é natureza." Foi um pouco dessa lição que atravessou cada desenho e cada pintura produzidos ao longo da semana, o entendimento de que cuidar da terra é cuidar de quem somos.
Já Davi Kopenawa, xamã e porta-voz do povo Yanomami, dedicou a vida a alertar o mundo sobre o valor da floresta em pé e dos saberes que ela guarda, conhecimento que nenhuma tecnologia substitui. E Sônia Guajajara, hoje uma das principais lideranças políticas indígenas do país, representa a força de um povo que segue lutando por território, saúde e educação próprias, sem abrir mão de sua identidade.
Essas referências não ficam apenas na história, atravessam o presente e apontam caminhos para o futuro. Por isso, mais do que uma semana de atividades, o que vivemos foi um convite: escutar os povos originários, reconhecer sua ciência, sua arte e sua resistência como parte essencial da identidade brasileira.
Que a gente siga aprendendo com quem, há mais de 500 anos, ensina o Brasil a existir em harmonia com a terra.